Colesterol

No dia 8 de agosto comemoramos o Dia Nacional de Controle ao Colesterol, por isso, durante todo o mês de agosto a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Sociedade Brasileira de Cardiologia promovem eventos para conscientizar a população dos riscos de ter o colesterol sanguíneo elevado. Esse alerta se faz necessário porque o aumento do colesterol está relacionado ao desenvolvimento de doenças como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

O colesterol é um componente essencial para o funcionamento do corpo humano, e fundamental para a produção de hormônios como o cortisol, a testosterona e o estrogênio, além de vitamina D e ácidos biliares.

As principais proteínas transportadoras do colesterol são as LDL-colesterol, que são conhecidas como “mau colesterol” porque, quando em níveis elevados no sangue, depositam o excesso de colesterol na parede dos vasos sanguíneos, formando placas gordurosas que os estreitam, dificultando a passagem sanguínea e possibilitando que as mesmas se rompam, formando trombos (coágulos) e, assim, doenças como o infarto e o AVC.  Já as proteínas HDL-colesterol, “bom colesterol”, o removem das paredes das artérias, promovendo assim uma “limpeza” os vasos sanguíneos.

Dentre os fatores envolvidos no aumento dos níveis de colesterol estão a genéticadoenças (como hipotireoidismo) e erros alimentares.

Histórico familiar de doenças cardíacas, tabagismo, hipertensão arterial, diabetes e demais comorbidades podem mudar o alvo de valores de colesterol em relação aos apontados pelos laboratórios como normais para cada faixa etária.

O tratamento envolve principalmente a melhora do padrão alimentar (baixo consumo de açúcar e de gorduras saturadas, ausência de gordura trans, consumo adequado de gorduras mono e polinsaturadas, grãos integrais, fibras, frutas e hortaliças), realização de atividades físicas e, quando necessário, o uso contínuo de medicamentos que agem aumentado a captação do colesterol no sangue.

Dra Eline Dias Pereira – Médica Endocrinologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Diabetes

O Diabetes é uma doença que resulta em níveis elevados de glicose (“açúcar”) no organismo. Ela ocorre devido à falta ou à resistência à ação da insulina. A insulina é um hormônio produzido pelas células do pâncreas e tem a função de propiciar a entrada da glicose para dentro das células do organismo, para que ela possa ser transformada em energia.

Quando não há insulina suficiente ou quando a insulina não consegue agir corretamente, a glicose fica impossibilitada de entrar nas células, permanecendo em excesso no sangue e levando a um estado de “intoxicação” no organismo. Essa intoxicação pode afetar diversos órgãos, tais como os olhos (ocasionando a oftalmopatia diabética, que pode evoluir com cegueira), os nervos periféricos (causando neuropatia diabética, que diminui a sensibilidade dos membros e dificulta a cicatrização de feridas, podendo levar a amputações), os nervos pélvicos (podendo causar disfunção erétil masculina), as arteríolas dos rins (gerando a nefropatia diabética, que pode evoluir com perda da função renal e a necessidade de hemodiálise) e as artérias que levam sangue ao cérebro e ao coração (aumentando o risco de infarto e acidente vascular cerebral).

O diabetes é uma doença ainda sem cura, mas que pode ser controlada. O primeiro passo é o diagnóstico, já que metade dos pacientes que tem a doença ainda não sabe que tem. O segundo passo é ter os cuidados adequados com a dieta (menor consumo de doces e carboidratos) e ter um programa de atividade física regular. O terceiro passo é o uso correto e contínuo das medicações, que agem aumentando a quantidade de insulina circulante e melhorando sua capacidade de ação.

Ao invés de DICAS, sugiro SINAIS DE ALERTA:

É uma doença assintomática, mas, alguns pacientes podem apresentar:

– aumento da fome e da sede, aumento da quantidade de urina

– perda de peso

– formigamento nos dedos das mãos e dos pés

– dificuldade para ter ou manter ereções

– dificuldade para enxergar

– lesões de difícil cicatrização

Dra Eline Dias Pereira – Médica Endocrinologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – CRM 37.056 – RQE 30.991.

 

Alterações na função tireoideana

A tireoide é uma glândula localizada na região anterior e inferior do pescoço. Ela secreta hormônios que ajudam na regulação da função de órgãos importantes como o coração, o cérebro, o fígado e os rins. Ela atua no crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, no peso, na memória, na concentração, no humor, no controle emocional e do colesterol.

Diversas condições podem alterar a quantidade de hormônios produzidos e liberados pela tireóide, tanto aumentando quanto diminuindo sua quantidade. Quando há redução dos hormônios tireoideanos é estabelecida uma condição chamada de HIPOTIREOIDISMO, que pode causar sintomas como cansaço, fraqueza, queda de cabelo, constipação e sonolência, assim como pode ser completamente assintomática. A produção aumentada desses hormônios leva ao HIPERTIREOIDISMO, podendo causar palpitação, sudorese, insônia, diarreia e perda de peso. Como diversas outras patologias clínicas podem ter sintomas semelhantes aos decorrentes das disfunções da tireóide, se faz necessária a análise de exames de sangue pelo médico endocrinologista para elucidar a situação.

Obesidade

A obesidade vem aumentando no mundo todo, em ambos os sexos e em todas as faixas etárias.  24,4% das mulheres e 16,8% dos homens Brasileiros são portadores de obesidade (Índice de Massa Corporal – IMC maior que 30) e 15% das crianças entre 5 e 9 anos estão obesas. Além de aumentar a mortalidade, a obesidade pode acarretar inúmeras outras doenças, tais como: diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, aumento de gorduras no sangue, problemas articulares, alguns tipos de câncer, apneia do sono, etc.

A principal causa para este aumento na prevalência da obesidade é a mudança do estilo de vida propiciado pela vida moderna, como a diminuição de atividade física e a fartura de alimentos industrializados.

O tratamento deve ser baseado em melhores cuidados com a alimentação associados a uma rotina de atividade física e, em casos determinados, o uso de medicações que ajudem a diminuir o apetite e aumentar a saciedade.

Durante todo o tratamento, se faz necessário, tanto pelo médico como pelo paciente, encontrar e reverter os fatores iniciais que levaram ao ganho de peso, para que possa ser feita uma reeducação alimentar, afim de que a perda de peso seja mantida. No caso de falência terapêutica, a cirurgia bariátrica também é uma opção de tratamento.

Fonte: SBEM e IBGE.

Nódulos de Tireóide

A tireóide é uma glândula localizada na região anterior do pescoço e é responsável por formar e secretar os hormônios tireoideanos (T3 e T4), que agem regulando a função de diversos órgãos (coração, músculos, cérebro, entre outros). Nela podem ocorrer problemas referentes à função (aumento ou diminuição da produção dos hormônios) ou à estrutura (nódulos, cistos e cânceres).

Os nódulos tireoideanos são achados muito comuns nas ecografias, presentes em 20 e 75% da população, variando muito dentre faixas etárias e localidades. São mais comuns em mulheres, idosos, moradores de regiões com deficiência de iodo e pacientes com história de exposição à radiação. Ainda que várias teorias sobre o que causa a formação dos nódulos tenham sido propostas, nenhuma foi comprovada.

A extrema maioria dos nódulos são benignos (90 a 95%), e é papel do endocrinologista rastrear os 5-10% que são cânceres. Para isso, dependendo do tamanho e das características que os nódulos apresentam na ecografia, pode se fazer necessária uma biópsia (punção aspirativa por agulha fina) para análise do seu conteúdo.

Se, a partir da biópsia, houver a suspeita de câncer ou se a benignidade não puder ser comprovada, o paciente pode ser submetido à cirurgia de retirada de parte ou de toda a glândula. Dependendo da extensão da cirurgia, pode haver a necessidade de suplementação de hormônio tireoideano para toda a vida, por isso, deve-se manter o acompanhamento com o endocrinologista.

Drª Eline Dias Pereira – Médica Endocrinologista, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (CRM 37.056, RQE 30.911)